Maconha no Uruguai: turista não compra legalmente na semana da final
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Turista estrangeiro não pode comprar maconha legal no Uruguai: o registro exige cidadania ou residência. Levar a droga ao Brasil pode virar caso de tráfico.
Quem viaja a Montevidéu para a final da Libertadores, no dia 28 de novembro, no Estádio Centenário, não pode comprar maconha legalmente no Uruguai. O mercado regulado só aceita cidadãos uruguaios e estrangeiros com residência permanente. O turista brasileiro fica de fora, mesmo que esteja no país de forma regular.
A confusão é comum porque o Uruguai regulamentou a cannabis em 2013, com a Lei 19.172. Mas a lei não liberou a venda para qualquer pessoa. Ela criou um sistema controlado pelo Estado, com registro obrigatório, e esse registro não está aberto a visitantes.
Quem pode comprar maconha legalmente no Uruguai?
Segundo a Lei 19.172, o Estado assume o controle e a regulação da produção e da distribuição. Menores de 18 anos não podem ter acesso ao uso recreativo. O Instituto de Regulação e Controle da Cannabis (Ircca) mantém o registro de usuários e autoriza as três vias de acesso:
- autocultivo, com registro obrigatório;
- clubes de membros, autorizados pelo Ircca;
- venda por licenciados, que na prática acontece em farmácias habilitadas.
De acordo com o Infobae, o registro de compradores exige cidadania uruguaia ou comprovação de residência no país, além da maioridade. O site Newsweed informa que o Decreto 120/014 restringe o mercado adulto a cidadãos e residentes permanentes e que, para comprar em farmácia, é preciso mostrar documento de identidade uruguaio e comprovante de endereço. Segundo o Infobae, em fevereiro de 2026 havia 57 farmácias habilitadas, 572 clubes autorizados e cerca de 85 mil pessoas registradas para comprar em farmácia.
A regra vai mudar até a final?
Não há sinal disso. O tema está em discussão, mas nada foi aprovado. Em fevereiro, o diretor-executivo do Ircca, Martín Rodríguez, disse ao Infobae que estrangeiros de passagem pelo país deveriam ter acesso em condições parecidas com as dos usuários registrados. Ele admitiu que "la regulación está limitando el acceso" dessas pessoas.
Em 5 de outubro de 2026, segundo o Newsweed, Rodríguez voltou ao assunto e confirmou que as autoridades estudam abrir o mercado legal a visitantes. Não há data definida. Pontos como a identificação do comprador, a necessidade de registro e a quantidade permitida ainda não foram decididos. Até agora, a regra continua a mesma: turista não compra.
O que acontece se o torcedor comprar na rua?
O próprio diretor do Ircca reconheceu ao Infobae que, sem acesso legal, o turista acaba comprando de forma irregular e corre riscos. Fora do sistema regulado não há controle sobre origem nem qualidade do produto, e a compra acontece fora da lei uruguaia.
A lei também impõe limites a quem tem acesso legal, e eles mostram como o tema é tratado no país:
- as medidas de proteção de espaços previstas na Lei 18.256 valem também para o consumo de cannabis;
- toda publicidade, promoção ou patrocínio de produtos de cannabis psicoativa é proibida;
- o motorista com concentração de THC acima do permitido pelo regulamento fica impedido de dirigir, com as sanções da lei de trânsito.
E se tentar trazer para o Brasil?
No Brasil, a regra é outra. A Lei 11.343, de 2006, inclui "importar", "transportar" e "trazer consigo" entre as condutas do artigo 33, que trata do tráfico, com pena de 5 a 15 anos de reclusão. O artigo 40 aumenta a pena de um sexto a dois terços quando as circunstâncias mostram que o crime envolveu mais de um país. Ter maconha comprada legalmente em outro país não serve como autorização no Brasil.
O que isso significa para quem quer viajar
Para quem planeja ir à final de ônibus, de carro ou de avião, o recado é simples: a regulamentação uruguaia não vale para o visitante. Comprar na rua deixa o torcedor fora do sistema legal do Uruguai. Cruzar a fronteira com a droga pode trazer consequências penais graves no Brasil. Numa viagem que já envolve controle de fronteira e bagagem na volta, não vale arriscar a semana da decisão.
O Ircca ainda estuda abrir o acesso aos turistas, sem prazo. Até que exista regra nova e oficial, o que vale é o modelo atual, restrito a cidadãos e residentes.