Comida do Uruguai na mala: o que o Vigiagro libera na volta da final
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Doce de leite, queijos e charque industrializados podem voltar do Uruguai se lacrados e declarados; carne crua, caseiros e embutidos de porco são barrados.
Quem for a Montevidéu para a final da Libertadores, marcada para 28 de novembro no Estádio Centenário, pode trazer doce de leite, queijos e carnes secas industrializadas na volta. Mas tudo precisa estar lacrado, rotulado e declarado ao Vigiagro. A fiscalização agropecuária do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) barra carne crua, produtos caseiros de origem animal e embutidos que levem carne de porco. O que estiver fora das regras pode ser apreendido e destruído na fronteira ou no aeroporto.
As regras estão na lista oficial de bens agropecuários que podem ou não entrar no Brasil como bagagem. Segundo o Mapa, a página foi atualizada em 24 de setembro de 2026. O ministério lembra que as restrições podem mudar a qualquer momento por causa de eventos sanitários no mundo. Por isso, vale conferir de novo perto da viagem.
Posso trazer doce de leite e queijo do Uruguai?
Pode, desde que o produto seja industrializado. De acordo com o Mapa, laticínios de qualquer origem são aceitos quando cumprem todas estas condições:
- são industrializados e para consumo próprio, sem finalidade comercial;
- estão na embalagem original de fábrica, íntegra e sem violação;
- o rótulo identifica o produto, a composição, a autoridade sanitária do país produtor e a origem;
- não são feitos com leite cru de vaca ou búfala;
- não mostram sinais de pragas.
Nesse grupo, o ministério cita expressamente o doce de leite em pasta, em barra ou em qualquer embalagem, além de manteiga, iogurtes, leite em pó e queijos de todos os tipos, inclusive ralados, em pó ou em pasta. O que fica proibido é o leite cru e qualquer laticínio de fabricação caseira, mesmo refrigerado, congelado ou embalado a vácuo.
E carne, charque e embutidos?
Aqui a regra é mais rígida. Segundo o Mapa, são aceitas carnes salgadas, secas ou desidratadas, sem carne suína. Charque, tasajo e beef jerky estão entre os exemplos citados. Também passam carnes e pescados industrializados cozidos, enlatados ou esterilizados, e produtos de porco só em lata e esterilizados pelo calor.
Ficam de fora:
- carne ou peixe crus, mesmo congelados ou a vácuo;
- carnes e peixes caseiros ou alimentos feitos com eles;
- carne ou peixe apenas defumados;
- produtos cozidos, salgados, secos ou defumados que contenham carne de porco, como salsichas e mortadela.
Na prática, a carne embalada a vácuo do açougue e os frios de porco comprados no mercado devem ficar no Uruguai.
Doces, biscoitos e lembrancinhas de mercado passam?
Passam se forem industrializados. Bolos, biscoitos, tortas e doces de confeitaria são aceitos quando estão na embalagem original, com rótulo que traga os ingredientes, e sem carne suína na receita. Os doces caseiros com ingrediente de origem animal são proibidos, mesmo os comprados em feira ou presenteados.
A Receita Federal acrescenta outros pontos ao guia do viajante. Produtos com canabidiol associado a outros canabinoides, como o THC, dependem de autorização da Anvisa. Substâncias entorpecentes são proibidas. Bebidas alcoólicas e produtos de tabacaria não podem fazer parte da bagagem de crianças e adolescentes, mesmo quando estão acompanhados dos responsáveis.
Como declarar na chegada ao Brasil?
O Mapa orienta o viajante a registrar os produtos de origem animal na e-DBV, a Declaração Eletrônica de Bens do Viajante da Receita Federal, e a se apresentar ao Vigiagro pelo canal Bens a Declarar. Na dúvida sobre algum item, a recomendação do ministério é declarar. A bagagem pode ser selecionada para fiscalização.
Se a regra for descumprida, o produto pode ser apreendido e destruído. Para quem viaja por estrada, existe ainda a possibilidade de devolução ao país de origem, que depende da análise da autoridade agropecuária federal.
O que isso significa para quem quer viajar
Vale para todo torcedor que pensa em ir de ônibus, carro ou avião. Antes de encher a mala no supermercado de Montevidéu, confira o rótulo, guarde a embalagem lacrada e separe o que precisa ser declarado. Na volta de ônibus, a parada na fronteira pode demorar mais se houver produto para inspecionar. Planeje isso no horário da viagem. A Caravana do Verdão é uma demonstração independente, sem vínculo com o clube ou com transportadoras, e não organiza viagens nem reserva vagas.
As regras do Vigiagro existem para impedir a entrada de pragas e doenças que afetam a agropecuária brasileira. O próprio Mapa cita queijos, carnes, mel e frutas entre os itens que mais preocupam na bagagem de quem chega do exterior.